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7 de agosto de 2011

Peixe-leão pode dizimar espécies na América do Sul

O peixe-leão tem toxinas que não são fatais, mas causam muita dor

O peixe-leão (Pterois volitans), nativo dos oceanos Pacífico e Índico, tornou-se uma ameaça à biodiversidade marinha da costa da América do Sul. Atrativo pelas suas cores brilhantes e barbatanas diferenciadas, chegou ao outro lado do mundo e, com seu apetite voraz, engole as presas inteiras. Como se alimenta de vários peixes menores, causa desequilíbrio no ecossistema e pode, inclusive, gerar a extinção de outras espécies.

Este animal invasor, de cerca de 35 cm, tem um estômago que pode se expandir até 30 vezes o volume inicial. Além de comer muitos peixes, a espécie se reproduz facilmente e não tem predadores neste local.

Quando alguma espécie é inserida em um habitat diferente do seu, é chamada de exótica invasora, pois prejudica a biodiversidade local. O intenso fluxo de bens e pessoas, decorrente da globalização, é o grande responsável por esta transferência de espécies. Turistas e colecionadores que trazem "lembranças" de outros habitats quando viajam ou o deslocamento não intencional - quando uma espécie é transportada, por exemplo, porque entrou em um navio - podem trazer espécies invasoras, que podem causar grandes prejuízos para os ambientes naturais, além de danos à economia do espaço afetado.

De acordo com Sílvia Ziller, Diretora Executiva do Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental e Diretora para a América Latina do Programa Global de Espécies Invasoras (GISP), as espécies exóticas invasoras já representam a segunda causa de perda da biodiversidade do planeta - atrás apenas da destruição provocada pela ação humana. Só no Brasil, mais de 380 espécies invasoras foram identificadas e catalogadas pelo Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental.

A introdução do peixe-leão na costa sul-americana representa uma séria ameaça à fauna local de peixes e invertebrados de que se alimentam e um risco para a o equilíbrio dos ecossistemas marinhos na região. Há estudos que mostram que, quando pequeno, este peixe se alimenta de pequenos crustáceos e, à medida que cresce, passa a se alimentar de peixes.

Além disso, a substância tóxica que pode ser liberada pelo contato com os espinhos das barbatanas dos peixes-leão, torna a espécie um risco para a saúde pública, já que banhistas e pescadores desavisados podem ser atingidos.

Disseminação
Acredita-se que as primeiras espécies de peixe-leão tenham chegado à América do Sul em função da passagem do furacão Andrew, na Flórida, Estados Unidos. Entre 1999 e 2010 a espécie invadiu o mar do Caribe, o Golfo do México, o litoral da Costa Rica e do Panamá, a costa da Colômbia e, mais recentemente, a costa da Venezuela. Teme-se que a invasão prossiga e chegue à costa brasileira, inicialmente no Amapá.

O que fazer?
Ações de controle da espécie têm sido desenvolvidas ao longo dos diferentes países da região onde a presença do peixe-leão existe. Pensar sobre a erradicação total parece improvável, e alguns esforços nesse sentido podem ser extremamente caros e poucos práticos.

No Caribe e nas Bahamas a caça com arpões está sendo praticada como forma de reduzir a população. Embora tenha veneno, o peixe-leão não foge dos predadores - nem mesmo do homem -, o que permite aos mergulhadores chegar bem próximo com o arpão e matá-lo com facilidade. É preciso remover os peixes, mas sem contato direto. Informar as pessoas sobre o perigo em tocar os peixes também é importante.

Segundo Sílvia Ziller, deve haver divulgação dos perigos associados à invasão do peixe-leão. As toxinas do peixe podem causar ferimentos graves, por isso, não devem ser pegos com as mãos. "É preciso que os pescadores do Amapá e do Pará, ao menos, estejam conscientizados sobre isso para evitarmos acidentes caso a espécie chegue ao Brasil", completa.

Não há medida preventiva que evite a chegada da espécie, mas esclarecer as populações sobre a necessidade da remoção da espécie é fundamental. Vale lembrar que a carne do peixe-leão pode ser consumida após a caça.


fonte: Terra

13 de julho de 2011

Países amazônicos se unem para medir o desmatamento

Objetivo é unificar os critérios usados para avaliar a perda de área verde

Brasília. Os países da região amazônica iniciarão em agosto uma série de estudos para medir a taxa de desmatamento do bioma, que abriga aproximadamente 20% das reservas de água doce do planeta.

A iniciativa foi anunciada pelos integrantes da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) durante encontro que terminou ontem em Quito, no Equador.

"O monitoramento sobre desmatamento busca harmonizar critérios para medir a perda de área verde, que varia de país para país", afirmou o diretor executivo da instituição, o boliviano Mauricio Dorfler, durante a oficina regional sobre biodiversidade amazônica.


Trata-se do primeiro estudo desse tipo de alcance regional e contará com especialistas de Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela.

Dentre as causas do fenômeno do desmatamento, o diretor mencionou a pressão sobre o uso da terra, a agricultura, a exploração madeireira e a extração de minerais. A OTCA também empreenderá em agosto o primeiro estudo de recursos hídricos fronteiriços com o objetivo de promover uma melhor utilização da água.

O Tratado de Cooperação Amazônica (TCA) foi assinado em 1978 com o objetivo de promover ações conjuntas para o desenvolvimento harmônico da Bacia Amazônica. Em 1995, as oito nações criaram a OTCA para fortalecer o tratado e, em 2002, estabeleceu-se uma secretaria permanente em Brasília.

Mato Grosso lidera devastação

Brasília. O desmatamento na Amazônia atingiu 268 km² em maio deste ano, mais do que o dobro no mesmo mês de 2010, quando chegou a 109 km², informou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O Mato Grosso, principal produtor de soja e algodão do país e que abriga o maior rebanho bovino do Brasil, foi o Estado que mais sofreu desmatamento, com 93,7 km². A seguir vieram Rondônia (67,9 km²) e Pará (65,5 km²).

O sistema registra tanto as áreas de corte raso, quando os satélites detectam a completa retirada da floresta nativa, quanto áreas classificadas como degradação progressiva, que revelam o processo de desmatamento na região.

Flash

Estratégia. O combate ao desmatamento da Amazônia é vital para as pretensões brasileiras de protagonismo na área ambiental no mundo.



12 de julho de 2011

Cogumelo luminoso é encontrado no Brasil após 170 anos



Existem 71 tipos de fungos que emitem luz; 12 deles estão em solo brasileiro

Teresina. Piauí. Pesquisadores brasileiros e norte-americanos encontraram no Piauí um cogumelo que emite luz e que tinha sido avistado pela última vez há mais de 170 anos.

Segundo o professor Cassius Vinicius Stevani, do Instituto de Química da USP, que participou do estudo, outras espécies de cogumelos que emitem luz já haviam sido avistadas em território nacional, contudo, todas eram de tamanhos bem menores. A espécie de Neonothopanus gardneri, encontrada por cientistas da USP e das universidades norte-americanas de São Francisco e de Hilo, no Havaí, é o maior fungo bioluminescente do Brasil e um dos maiores do mundo.

O cogumelo foi descoberto em 1840, pelo botânico britânico George Gardner, quando ele viu garotos brincando com o que pensou serem vaga-lumes nas ruas de uma vila onde hoje fica a cidade de Natividade, em Tocantins. Desde então, nunca mais foi visto. Chamado pelos locais de "flor-de-coco", o fungo foi classificado como Agaricus gardeni, mas teve de ser reclassificado após exame cuidadoso de sua anatomia, fisiologia e genética.

Stevani informou que ficou sabendo da existência de cogumelos dessa espécie por volta de 2001. De lá para cá, ele apenas recebeu relatos de que cogumelos grandes, amarelos e que emitiam uma luz haviam sido vistos em Tocantins e Goiás.

O pesquisador, que participou de expedições para a coleta do cogumelo, explica que as buscas acontecem geralmente em noites escuras, de lua nova, com lanternas desligadas.

A ciência ainda não desvendou o processo químico que permite que o fungo produza luz. Uma das teses consideradas é a de que a luz é emitida para atrair insetos noturnos, ajudando os fungos a dispersarem esporos para a reprodução. Outra diz que a luz atrai insetos predadores que atacam insetos menores que se alimentam do fungo.

Existem 71 espécies de fungos bioluminescentes; 12 delas estão presentes no Brasil. Liderados pelo cientista Dennis Desjardin, professor de Ecologia e Evolução da Universidade do Estado de São Francisco (EUA), a pesquisa será publicada na revista científica norte-americana "Mycologia".


24 de junho de 2011

Ibama poderá sacrificar 270 canarinhos

Aves vindas da Venezuela não podem ser soltas no Brasil

O Ibama do Amazonas tenta devolver 270 canários-da-terra, transportados de maneira irregular para o Brasil, à Venezuela. As aves podem ser sacrificadas caso não seja possível o retorno delas ao país de origem. De acordo determinações da legislação brasileira, animais exóticos, ou seja, advindos de outros países, não podem ser soltos em território nacional.

Os pássaros foram apreendidos na última segunda-feira, em Manaus. Um suspeito tentava embarcar as aves no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, na própria capital amazonense. Ele tentava transportar as aves em pequenas gaiolas, escondidas no meio da bagagem. O suspeito chegou a ser preso ainda no aeroporto, mas ganhou o direito de responder ao crime em liberdade.

Caso não consiga resolver as questões burocráticas, que nesses casos tornam a opção de repatriamento das aves ainda mais demoradas, os pássaros terão que ser sacrificadas em território nacional. O Ibama do Amazonas não tem registro de uma medida similar.


22 de junho de 2011

Estudo aponta para extinção em massa nos oceanos e mares

Ação de poluentes diferentes está provocando efeitos em cadeia mundial

Londres, Reino Unido. Um novo estudo indica que os ecossistemas marinhos enfrentam perigos ainda maiores do que os estimados até agora pelos cientistas e que correm o risco de entrarem em uma fase de extinção de espécies sem precedentes na história da humanidade.

O levantamento foi realizado por especialistas que integram o Programa Internacional sobre o Estado dos Oceanos (IPSO, na sigla em inglês), uma entidade formada por cientistas e outros especialistas no assunto. Eles concluíram que fatores como a pesca excessiva, a poluição e as mudanças climáticas estão agindo em conjunto de uma forma que não havia sido antecipada.
A pesquisa reuniu especialistas de diferentes disciplinas, incluindo ambientalistas com especialização em recifes de corais, toxicologistas e cientistas especializados em pesca. "As conclusões são chocantes. Estamos vendo mudanças que estão acontecendo mais rápido do que estávamos esperando e de formas que não esperávamos que fossem acontecer por centenas de anos’’, disse Alex Rogers, diretor científico do IPSO e professor da Universidade de Oxford.

Entre as mudanças que estão ocorrendo antes do esperado estão o derretimento da camada de gelo no Ártico, na Groenlândia e na Antártida, o aumento do nível dos oceanos e a liberação de metano no leito do mar. O estudo observou que existem efeitos em cadeia provocados pela ação de diferentes poluentes.

A pesquisa observou, por exemplo, que alguns poluentes permanecem nos oceanos por estarem presos a pequenas partículas de plástico que foram parar no leito do oceano. Com isso, há um aumento também de poluentes que são consumidos por peixes que vivem no fundo do mar.

Partículas de plástico são responsáveis também por transportar algas de parte a parte, contribuindo para a proliferação de algas tóxicas, o que também é provocado pelo influxo para os oceanos de nutrientes e poluentes provenientes de áreas agrícolas.

O estudo descreveu ainda como a acidificação do oceano, o aquecimento global e a poluição agem de forma conjunta para aumentar as ameaças aos recifes de corais - 75% dos corais mundiais correm o risco de sofrerem um severo declínio.

As conclusões do relatório serão apresentadas na sede da ONU, em Nova York, nesta semana


Ação do homem pode levar a um sexto ciclo de mortandade

Londres. A vida na Terra já enfrentou cinco "ciclos de extinção em massa" causados por eventos como a queda de asteroides. Mas os cientistas acreditam que o impacto de diferentes ações exercidas pelo homem poderá contribuir para um sexto ciclo. "Ainda contamos com boa parte da biodiversidade mundial, mas o ritmo atual da extinção é muito mais alto (do que no passado) e o que estamos enfrentando é um evento de extinção global significativa", afirma o professor Alex Rogers.

O relatório observa ainda que eventos anteriores de extinção em massa tiveram ligação com tendências que estão ocorrendo atualmente, como distúrbios no ciclo de carbono, acidificação e baixa concentração de oxigênio na água. Os níveis de CO² que estão sendo absorvidos pelos oceanos já são bem mais altos que aqueles registrados durante a grande extinção de espécies marinhas que ocorreu há 55 milhões de anos.

O estudo aconselha a adoção de medidas urgentes como o fim da pesca predatória, o mapeamento e redução dos poluentes e a redução dos gases do efeito estufa.




10 de junho de 2011

Mapa do subsolo conclui que fontes de água estão em risco

Gestão hídrica em países com reservas compartilhadas é atrapalhada por conflitos territoriais


IRVINE, EUA. Há nove anos, cientistas norte-americanos iniciaram um projeto para mapear através de satélites as águas subterrâneas do planeta. Agora, os resultados do Experimento de Clima e Recuperação de Gravidade, conhecido em inglês como Grace, apontam para um futuro ameaçador: a principal fonte de abastecimento de água para consumo humano está cada vez mais escassa, e o problema é mais grave onde as reservas são compartilhadas e há conflitos territoriais.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas utilizaram dois satélites que viajam nas órbitas polares e que produzem alguns dos dados mais precisos já coletados sobre as diferenças gravitacionais do planeta. Com as variações, os especialistas conseguem identificar pontos problemáticos em torno do globo onde as pessoas realizam práticas insustentáveis sobre a água subterrânea - os aquíferos que alimentam fontes e nascentes de rios do mundo.

Os cientistas descobriram problemas em lugares muito discrepantes, como o norte da África, o norte e o nordeste da China, e os vales da Califórnia, que são polo de uma indústria agrícola de US$ 30 bilhões.

Jay Famiglietti, diretor do Centro de Modelagem Hidrológica da Universidade da Califórnia, disse que os dados dos satélites gêmeos do Grace estão redefinindo o campo da hidrologia, cada vez mais crítico com a mudança climática e o crescimento da população. "O Grace analisa toda a mudança no gelo, na neve e a conservação da água, toda umidade do solo, toda água subterrânea e superficial", explica Famiglietti.

Segundo ele, existem questões sensíveis em regiões áridas de todo o mundo, onde bacias de águas subterrâneas geralmente são compartilhadas por vizinhos nada amigáveis - Índia e Paquistão, Tunísia e Líbia ou Israel, Jordânia, Líbano, Síria e territórios palestinos - que tendem a gerar conflito e, consequentemente, escassez.

Interesses. No entanto, diz Famiglietti, os governantes têm ficado com o pé atrás na hora de aceitar as descobertas. Os gestores das águas da Califórnia, por exemplo, estão céticos quanto à informação de que, de outubro de 2003 a março de 2010, os aquíferos do Vale Central do Estado caíram para 25 milhões de acres-pés - menos que o suficiente para encher o Lago Mead, maior reservatório de água dos EUA.

Greg Zlotnick, membro da Associação das Agências de Água da Califórnia, disse que os gestores temiam que os dados pudessem ser modificados em benefício de terceiros no cabo de guerra da Califórnia acerca das fontes escassas de água. "Existe muita paranoia dos especialistas em política, que dizem que é preciso regulamentar tudinho" , disse ele.

Experimento. As políticas da água não eram o objetivo de Famiglietti quando ele ouviu sobre o Grace pela primeira vez. Em 1992, ao se candidatar a um emprego na Universidade do Texas, ele foi entrevistado por Clark Wilson, geofísico que descreveu os planos para a realização de um experimento para medir as variações no campo gravitacional da Terra. "Entrei na sala dele e ele pegou um pedaço de papel dizendo: ‘Estou tentando entender como a distribuição da água faz a Terra se movimentar’", disse Famiglietti. " Fiquei impressionado e instantaneamente encantado com o cara. Eu disse: ‘Isso é inacreditável, abre todo um novo campo de estudo’".

Naquela época, o experimento Grace estava sendo desenvolvido pela Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) e a dupla descobriu que os dados dos satélites eram confiáveis e suportariam estudos sobre as águas subterrâneas. "Entramos em um campo de estudo bem aberto", disse Matt Rodell, pesquisador da Nasa. "Ficamos igual criança em loja de doce. Tinha coisa demais a ser feita".

Limitação
Satélites avaliam quantidade, mas apenas de áreas maiores

O cientista Jay Famiglietti tenta quantificar a água subterrânea
Por décadas, as medidas de água subterrânea nos EUA foram feitas a partir de pontos na superfície da Terra através de sondagens em tempo real em 1.383 poços de observação e leituras diárias nos outros 5.908. Essas leituras são complementadas por medições dos níveis de água em centenas de milhares de outros poços, valas e escavações. A nova opção de medida usando-se a gravidade tem dois satélites, que viajam nas órbitas polares a 217 km de distância um do outro. Um bombardeia o outro com micro-ondas que calibram a distância entre eles até intervalos de largura menores que um fio de cabelo humano. A distância entre eles se traduz em uma medida da superfície em uma região específica.

Separar a água subterrânea de outros tipos de umidade que afetam a gravidade requer um pequeno cálculo e a inclusão de informações sobre a precipitação, além do escoamento obtido em estudos de superfície ou modelos de computador.

Mas os dados dos satélites também têm seus limites. Os dados gravitacionais ficam mais escassos quando a área examinada fica menor. E, em áreas menores que 194 mil km², fica mais difícil chegar a conclusões sobre os suprimentos de água. "O Grace dá um panorama geral", disse Felix Landerer, hidrólogo do Laboratório de Propulsão a Jato. "Cada gestor de águas hoje tem alguns poços para monitorar em um distrito específico. Por isso, é muito difícil reunir essas informações todas".


9 de junho de 2011

Madacascar corre risco de extinção em massa

O Furciver timoni é um dos novos camaleões
ONG ambientalista WWF denuncia a perda de ecossistemas

Cidade do Cabo, África do Sul. Mal conhecidas dos cientistas, novas espécies descobertas em uma década de pesquisa em Madagascar já estão sob risco de extinção, alertou a organização ambiental WWF. Segundo a ONG, entre 1999 e 2010, foram descobertas 615 espécies de animais - quase uma a cada semana.

O balanço inclui 385 plantas, 69 anfíbios, 61 répteis, 42 invertebrados, 41 mamíferos e 17 peixes. Desde 1999, a ilha no sudeste africano colaborou com 11 novas espécies de camaleões - entre as quais o Furcifer timoni, de um verde vibrante e pontos vermelhos e azuis na cabeça. O camaleão vive nas florestas tropicais isoladas de Montagne d'Ambre, a 850 m acima do nível do mar. Outros animais incluem cobras, rãs e um lêmure que é considerado o menor primata do mundo. Tem apenas 10 cm de comprimento e pesa 30 g.

Entre as ameaças, a ONG destaca o desmatamento e a perda de ecossistemas. Mais de 1 milhão de hectares de mata foram derrubados e a extração ilegal de madeira voltou a subir.




3 de junho de 2011

Invenção caseira promete eliminar gases poluentes

Invenção caseira promete eliminar gases poluentes


Um estudante de engenharia civil e um técnico em eletrônica, preocupados com o efeito estufa, dizem ter inventado um equipamento que, garantem eles, pode eliminar 100% do monóxido de carbono (CO) e do dióxido de carbono (CO²) de caminhões, ônibus e indústrias. À procura de investidores, Thiéveri Junqueira Gomes, 23, e Raimundo Nonato Nogueira, 55, moradores de Cambuquira, no Sul do Estado, vão apresentar hoje a invenção, batizada de STAP 80, a empresários interessados em investir na máquina.

Sem qualquer vínculo com universidades ou laboratórios, os inventores passaram cinco anos desenvolvendo o projeto, que tem nome baseado em "sistema antipoluente" e que, dizem, elimina também 80% da fumaça composta por outros gases poluentes. Nogueira, que é também torneiro mecânico e especializado em máquinas pesadas, desenvolveu a teoria do projeto e Gomes fez os cálculos. "O conhecimento partiu de nós mesmos. Sempre busco aquilo que é de utilidade para a melhoria da vida cotidiana e tenho uma consciência ambiental muito grande", diz o estudante.

Segundo Gomes, no início do projeto, os inventores pensaram em usar catalizadores, mas não iriam chegar ao resultado que gostariam. "Sabíamos, na teoria, que era possível eliminar o monóxido e o dióxido de carbono. Chegamos à conclusão de que, com um gel, conseguiríamos", conta ele sobre um composto químico que inventou para reagir com os gases. "São componentes da natureza, mas a fórmula dele é uma invenção minha", brinca. O gel reagido com a poluição, segundo ele, é rico em carbono e pode ser usado para corrigir o pH do solo.

Para desenvolver o equipamento, os inventores fizeram maquetes. Depois, contaram com o espaço de oficinas da região para criar em escala real. "Esses profissionais abrem espaço para esses trabalhos. Compramos peças em uns lugares, a caixa em outro e fomos desenvolvendo em vários pontos. Fomos comprovando tudo e colocamos na prática", conta Gomes, que trancou o último período da faculdade para se dedicar mais ao projeto.

Gomes diz que essa não é sua primeira invenção. "Desenvolvi equipamentos, como implementos agrícolas. Temos outros projetos e trabalho com iniciação científica", conta. O modelo do STAP 80 não serve para carros, mas pode ser adaptado em veículos com motor a diesel, segundo o inventor.


Aceitação
Dupla idealiza venda a baixo custo

Sem condições para fabricar vários modelos, Thiéveri Junqueira Gomes e Raimundo Nonato Nogueira esperam conseguir investidores. Os inventores pretendem que o equipamento seja vendido a baixo custo e que o gel possa ser comercializado em postos de combustíveis. "A instalação de um aparelho desse (em caminhão) não passaria de R$ 3.000. O gel seria vendido separadamente, com custo aproximado de R$ 0,50 a cada mil quilômetros rodados", afirma Gomes.

Hoje, o equipamento instalado em um caminhão será avaliado por empresários interessados em comprovar a invenção. Na próxima semana, os inventores vão acompanhar outros possível compradores.

"Eles vão medir a emissão dos gases e verificar se foram eliminados. Não tem o que ser discutido e acho que terá aceitação imediata. É só imaginar a cidade de São Paulo com 80% a menos de poluição", idealiza Gomes, otimista.



31 de maio de 2011

Emissão de CO2 bate recorde histórico

Camada de poluição cobre a cidade de São Paulo, no dia 25 de maio
A emissão de gases do efeito estufa bateu recorde em 2010, na maior liberação de carbono na atmosfera já registrada. O relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) diminui as esperanças de manter o aquecimento global em níveis seguros.

Segundo a agência, as emissões de dióxido de carbono (CO2), o principal gás do efeito estufa, cresceram 5% no ano passado em relação ao recorde anterior, em 2008. Em 2009, as emissões haviam caído graças à crise financeira global, que reduziu a atividade econômica.

Essas informações sig-nificam que o objetivo de prevenir um aumento de temperatura de mais de dois graus Celsius - que cientistas dizem ser o limite para mudanças climáticas potencialmente perigosas - deve se tornar apenas uma utopia.

"Estou muito preocupado. Está se tornando extremamente desafiador permanecer abaixo de dois graus. A perspectiva está ficando mais sombria", disse Fatih Birol, economista-chefe da AIE, ao jornal inglês The Guardian.

No último ano, 30,6 gigatoneladas de CO2 foram despejadas na atmosfera, oriundas principalmente de queimas de combustíveis fósseis.

Os países desenvolvidos foram responsáveis por 40% das emissões totais em 2010, mas responderam por apenas 25% do crescimento. Países em desenvolvimento, como China e Índia, registraram aumento muito maior.


fonte:  folhapress

10 de maio de 2011

Lagarto sem olhos e sem patas é descoberto no Camboja

Réptil foi encontrado em região montanhosa do país e confirmação para saber se era nova espécie demorou um ano.

Cientistas anunciaram a descoberta de uma nova espécie de lagarto, sem olhos e sem patas, no Camboja, país do sudeste da Ásia.

O zoólogo Neang Thy, do Ministério do Meio Ambiente cambojano, e a organização de defesa ambiental FFI (Fauna & Flora International) encontraram a criatura, parecida com um verme ou uma cobra, na região das montanhas Cardamomo. O zoólogo notou a presença do lagarto quando revirou um pedaço de madeira no chão da mata e capturou a criatura.

"Primeiro pensei que era uma espécie comum", disse o zoólogo, que estuda répteis e anfíbios há quase dez anos no Camboja. Mas logo percebeu que se tratava de uma nova espécie. O réptil evoluiu para viver embaixo da terra, perdendo as patas para conseguir passar pelo solo ao retorcer o corpo.

Thy e seus colegas confirmaram que esta é uma nova espécie e publicaram a conclusão na revista especializada "Zootaxa". O novo lagarto foi chamado de lagarto cego da Montanha Dalai (Dibamus dalaiensis), devido à montanha onde foi encontrado.

UM ANO

A bióloga Jenny Daltry, também da FFI, comentou que foi necessário quase um ano para ter certeza de que se tratava realmente de uma nova espécie.

"Eles tiveram que analisar todas as descrições científicas de todas as outras espécies (...) e analisar as espécies em museus", disse Daltry à BBC.

"O que é realmente animador sobre isto é que esta foi a primeira vez que um cidadão cambojano descobriu uma nova espécie, juntou todas as provas científicas e publicou a descoberta."

Daltry afirma ainda que existem vários outros lagartos sem patas na natureza, como uma espécie do Reino Unido. Diferentemente das cobras, os lagartos sem patas não tem a língua bifurcada.

Além disso, a maioria das cobras tem apenas um pulmão, enquanto os lagartos têm dois, explica a cientista. "A maioria dos lagartos também conseguem piscar, algo que as cobras não conseguem. Mas este novo lagarto não tem olhos."


Fonte:BrNews

22 de abril de 2011

Apple é a empresa de tecnologia mais poluidora, diz Greenpeace

Mais da metade da energia usada pela empresa vem do carvão, segundo o Greenpeace

Um relatório divulgado pelo Greenpeace mostra que a Apple é a empresa de tecnologia menos verde do mercado. Baseado na emissão de carbono dos centros de dados das maiores empresas de tecnologia, o Greenpeace aponta que a energia da empresa de Steve Jobs é 54,5% dependente da queima do carvão, seguida pelo Facebook, com 53,2%, e IBM, com 51,6%. O relatório destaca Yahoo, Google e Amazon pelo uso de energias limpas. As informações são do Huffington Post.

O Greenpeace alerta também para a falta de transparência das empresas com seus dados de consumo de energia. Apesar de o relatório apontar Google e Amazon como empresas com compromisso com a energia limpa, ele destaca também a falta de dados públicos das companhias sobre o tema. Com a adoção cada vez maior da computação em nuvem, as empresas terão que aumentar a capacidade dos seus centros de dados para armazenar cada vez mais informação. Isso vai levar a um consumo cada vez maior de energia: o Greenpeace prevê que eles são responsáveis por 3% da energia americana. Estima-se que somente o novo centro de US$ 1 bilhão da Apple na Carolina do Norte vá consumir o equivalente à energia de 80 mil lares americanos.

O Greenpeace mostrou preocupação com a região da Carolina do Norte, com gigantes centros de dados administrados pelo Google, Apple e Facebook, atraídos por incentivos fiscais e energia barata priometidos pelo governo local. O problema, segundo a organização, é que apenas 4% da energia na região é renonável, contra 61% obtida através do carvão.


fonte:Terra

14 de abril de 2011

Clima exerce influência sobre abalos sísmicos

Monções aceleraram em 20% o movimento da placa tectônica indiana

Sydney, Austrália. Cientistas descobriram que a intensificação das monções - um fenômeno meteorológico - na Índia acelerou em 20% o movimento da placa tectônica indiana nos últimos 10 milhões de anos.

Já se sabia há muito tempo que os movimentos tectônicos influenciam o clima ao formar novas montanhas e fossas marinhas, mas a recente pesquisa demonstra pela primeira vez que a influência existe também no sentido inverso.

"O fechamento e a abertura dos vales oceânicos, assim como a formação das grandes cadeias de montanhas, como os Andes e o Tibete, constituem processos geológicos que afetam os padrões do clima", disse Giampiero Iaffaldano, que coordenou o trabalho. "Do nosso lado, nós demonstramos pela primeira vez que essa influência existe também no sentido inverso, ou seja, que a evolução do clima pode afetar, por sua vez, o movimento das placas tectônicas", completou.

Entretanto, a conclusão óbvia não é a de que o aquecimento global necessariamente acarretará em uma maior frequência de terremotos potentes, como o que devastou o Japão, já que essas evoluções são medidas em "milhões de anos".




6 de abril de 2011

Camada de ozônio tem buraco recorde

Foi registrada redução de 40% durante o inverno no hemisfério Norte

Washington, EUA. O buraco na camada de ozônio acima do Ártico chegou a nível recorde segundo informações da Organização Meteorológica Mundial divulgadas ontem. A diminuição na camada acima da área chegou a 40% durante o inverno no hemisfério Norte. O recorde anterior era de 30%.

Para a OMM, substâncias que destroem a camada de ozônio continuam a ser emitidas, como os clorofluorcarbonetos (CFCs) - lançados na atmosfera por extintores de incêndio, sprays e refrigeradores. Apesar de recorde, o número já era esperado pelos especialistas do órgão ligado às Nações Unidas (ONU).

A perda de ozônio na atmosfera também acontece sobre a região da Antártida. Mas, segundo a OMM, os danos na região polar do hemisfério sul estão diminuindo com o tempo, com a recuperação da camada no local.

A camada protege a superfície terrestre da exposição exagerada a raios ultravioletas, que podem causar câncer na pele, cataratas nos olhos e comprometer o sistema de defesa do corpo de humanos. Os danos também atingem outros animais e plantações.



23 de março de 2011

Mais da metade das cidades pode ficar sem água em 2015

É necessário investir R$ 22 bilhões para evitar a escassez do líquido no país

Dono do maior potencial hídrico do planeta, o Brasil corre o risco de chegar a 2015 com problemas de abastecimento de água em mais da metade dos municípios. O diagnóstico está no Atlas Brasil - Abastecimento Urbano de Água, lançado ontem pela Agência Nacional de Águas (ANA).

O levantamento mapeou as tendências de demanda e oferta de água nos 5.565 municípios brasileiros e estimou em R$ 22 bilhões o total de investimentos necessários para evitar a escassez. O dinheiro deverá financiar um conjunto de obras para o aproveitamento de novos mananciais e para adequações no sistema de produção de água.
Considerando a disponibilidade hídrica e as condições de infraestrutura dos sistemas de produção e distribuição, os dados revelam que, em 2015, 55% dos municípios brasileiros poderão ter déficit no abastecimento de água, entre eles grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre e o Distrito Federal. O percentual representa 71% da população urbana do país, 125 milhões de pessoas, já considerado o aumento demográfico.

"A maior parte dos problemas de abastecimento urbano do país está relacionada com a capacidade dos sistemas de produção, impondo alternativas técnicas para a ampliação das unidades de captação, adução e tratamento", aponta o relatório.


O diretor-presidente da ANA, Vicente Andreu, disse que o atlas foi elaborado para orientar o planejamento da gestão de águas no país. Segundo ele, como atualmente mais de 90% dos domicílios brasileiros têm acesso à rede de abastecimento de água, a escassez parece uma ameaça distante, como se não fosse possível haver problemas no futuro. "Existe uma cultura da abundância de água que não é verdadeira, porque a distribuição é absolutamente desigual. O atlas mostra que é preciso se antecipar a uma situação para evitar que o quadro apresentado venha a ser consolidado", avalia.

A maior parcela dos investimentos deverá ser direcionada para capitais, grandes regiões metropolitanas e para o semiárido nordestino. "Em função do maior número de aglomerados urbanos e da existência da região do semiárido, que demandam grandes esforços para a garantia hídrica do abastecimento de água, o Rio de Janeiro, São Paulo, a Bahia e Pernambuco reúnem 51% dos investimentos, concentrados em 730 cidades", detalha o atlas.

Além do dinheiro para a captação de água, o levantamento também aponta necessidade de investimentos significativos em coleta e tratamento de esgotos. O volume de recursos não seria suficiente para universalizar os serviços de saneamento no país, mas poderia reduzir a poluição de águas que são utilizadas como fonte de captação para abastecimento urbano.


20 de março de 2011

Strawberry: carregador solar público que carrega dispisitivos pequenos


Finalmente, deparamo-nos numa concepção simples, porém inovadora com  praticidade embutidas - uma cabine de energia solar para carregar celulares, câmeras e até tocadores de MP3. Um grupo empresarial de estudante sérvio-empresários  inventaram essa cabine escrupulosa. 

Com o nome de Strawberry, no seu design integra painéis solares num ângulo ideal no topo do telhado, enquanto as bancadas estão  em torno da "pilar" singular  para as pessoas se  assentar e conversar, enquanto esperam por seus telefones para ser carregada. No futuro, a empresa planeja incluir funcionalidades Wi-Fi e também  cabines convencionais e portáteis para atender a grande concepção móvel.

Este hábil e interessante projeto foi prestigiado pela Comissão Europeia de Energia Sustentável Europe Award 2011.Strawberry 's CEO Miloš Milisavljević disse:

Nós compartilhamos um sonho no qual a energia é obtida a partir do sol e do vento, em que o ar está limpo e rios poluídos, e as novas tecnologias serão usadas para a preservação do nosso ambiente. Queremos desenvolver dispositivos que torna a energia renovável à disposição de todos, para levar para casa as vantagens de tecnologias verdes, para que as pessoas se familiarizem com as energias renováveis ​​e suas potencialidades. Nosso futuro depende de energia sustentável. Queremos incentivar a compreensão do bem que ele pode trazer.



fonte:ecofriend.com

14 de março de 2011

Padre faz campanha para a adoção de sapos em missa e via Twitter

O padre defende que as pessoas precisam ter coragem para começar a amar o sapo


Um padre do sertão da Paraíba aproveitou o apelo ecológico da Campanha da Fraternidade para estimular uma ação inusitada entre os fiéis: a de adoção de sapos. O religioso está tratando o assunto como uma campanha ecológica e tem lançado mão do Twitter para divulgar a iniciativa pela internet.

"Amar o sapo, bicho tão agredido, chutado, é expressão maior de amor à natureza, que clama por socorro", defendeu no Twitter o padre Djacy Brasileiro, da paróquia de Santa Cruz, município do sertão localizado a cerca de 445 km da capital paraibana. Segundo o padre, o amor à natureza começa por animais como sapos, cobras e pássaros. "O sapo só faz o bem à humanidade. Por que é tão desprezado? Vamos começar a amar o animal que por tanto tempo foi chutado, enojado, desprezado", defende.

O padre, que lançou a campanha ecológica durante celebração na paróquia, defendeu que as pessoas precisam ter coragem para começar a amar o sapo pelo "bem" que ele faz ao homem. "Alguns de vocês, queridos amigos, têm medo de sapo? Então, acostumem-se com a ideia de amar esse animal tão querido por Deus e pela Mãe Terra".

O padre Djacy Brasileiro é formado em Filosofia e Teologia. Em seu perfil no Twitter (@PadreDajcy), ele revela que tem paixão por causas sociais e o sonho de ver o povo "liberto da alienação política-religiosa". Ele tem recebido mensagens de apoio à campanha de adoção de sapos.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lança anualmente a Campanha da Fraternidade, pautada por problemas enfrentados pela sociedade brasileira. Este ano tem como tema "Fraternidade e a vida no planeta" e como lema "A criação geme em dores de parto".

Fonte: Terra

4 de março de 2011

"Formigas-zumbis" achadas em Minas são alvo de fungos

Estudo enfoca uma interação biológica complexa e até então desconhecida

Existem quatro espécies de fungos capazes de gerar "formigas-zumbis", segundo recente pesquisa norte-americana. Após infectarem os insetos, os fungos distribuem-se pelo organismo das formigas e causam uma mudança de comportamento tão grande que elas não conseguem mais realizar suas atividades normalmente.

A pesquisa - elaborada por Harry Evans e David Hughes, investigadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos,e publicada no jornal científico "PLoS One" anteontem - concluiu que, em questão de uma semana, a formiga pode ter seus sentidos totalmente afetados pelo fungo e começar a "vaguear" por perto da colônia, daí o termo "formiga-zumbi".

O estudo verificou esse comportamento em quatro espécies de fungos, todos do gênero Ophiocordyceps, encontrados na Mata Atlântica de Minas Gerais. Eles são capazes de travar as mandíbulas de formigas carpinteiras, local em que encontram condição ideal para começar a se reproduzir, infectando outros hospedeiros. Uma vez instalado, o fungo cresce no organismo da formiga e espalha substâncias que têm efeitos colaterais.


Entre as consequências, as formigas são conduzidas para locais específicas para dispersão dos esporos, o que assegura a infecção e acaba por provocar a morte de colônias inteiras, criando o ambiente ideal para a própria proliferação dos próprios fungos.

Reflexos. A pesquisa, denominada "Diversidade oculta em fungos de formigas-zumbis", pode ajudar a explicar a perda de biodiversidade entre insetos de determinadas espécies, já que cada fungo observado atua em um tipo de formiga distinta.

O ciclo de vida desses fungos que infectam, manipulam e matam formigas é altamente complexo. O estudo estabelece a identificação dessas ferramentas como forma de ir além e indagar de que forma a deterioração da floresta afeta essa dinâmica.

Agora, autores do estudo querem saber como a ação dos fungos sobre as formigas influencia o funcionamento do ecossistema em que os dois animais vivem.

Relatos. Segundo os pesquisadores, existem relatos sobre os fungos de "formigas-zumbis" descritos, em meados do século XIX, pelo naturalista Alfred Russel Wallace, contemporâneo de Charles Darwin, que encontrou duas espécies do fungo na Indonésia, na Ásia.

Biodiversidade

Notável. O artigo é notável pela atenção que dá a interações biológicas desconhecidas e complexas em ambientes ameaçados. As quatro espécies são originárias da Mata Atlântica, muito degradado em termos de biodiversidade no mundo, restando apenas 8% de sua cobertura original.

Mistério. Os pesquisadores ainda não sabem é como esses fungos lidam com a perda do habitat.

Flash

Novidade. Não se sabia que parasitas como esses fungos se relacionavam de forma tão complexa com outros organismos.

3 de março de 2011

Estudo alerta para a possibilidade de extinção em massa no planeta Terra

Pesquisador afirma que a catástrofe pode acontecer em três séculos

CALIFÓRNIA, EUA. Cientistas paleobiólogos da Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos, estudaram a situação da biodiversidade nos dias de hoje. O "barômetro" utilizado por eles foram as espécies de mamíferos, já que há várias delas nas categorias "risco crítico" e "ameaça" da Lista Vermelha da biodiversidade, atualizada pela União Internacional pela Preservação da Natureza.

Se todas as espécies de mamíferos em "risco crítico" e em "ameaça" da Lista Vermelha da biodiversidade, da União Internacional pela Preservação da Natureza, terminarem extintas sem que a redução da biodiversidade seja combatida, "a sexta extinção em massa pode chegar dentro de pouco tempo, daqui a entre três e 22 séculos", afirmou o pesquisador Anthony
Barnosky, um dos chefes da pesquisa.

Os responsáveis pela pesquisa destacam que, mesmo em um cenário tão devastador, ainda é possível ter esperança porque há muita biodiversidade para salvar.


 

18 de fevereiro de 2011

País perde biodiversidade que ainda não conhece

Estudo do Ipea alerta para a falta de preservação de animais e plantas

Técnicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) constataram, por meio da análise de estudos de variabilidade genética, que há, no Brasil, desconhecimento sobre as espécies e o meio ambiente em todas as regiões, o que afeta as possibilidades de preservação de animais e plantas, inclusive os mais ameaçados.

Os dados foram divulgados ontem e fazem parte do comunicado intitulado "Sustentabilidade Ambiental no Brasil: Biodiversidade, Economia e Bem-Estar Humano".
O Ipea reconhece que "o conhecimento e a conservação dos biomas brasileir

os têm avançado bastante nos últimos anos", conforme constatado no capítulo que traz o levantamento dos biomas brasileiros, onde há referência ao início recente do monitoramento por satélite do desmatamento no Cerrado e na Caatinga.

Em outro trecho da publicação, os técnicos, no entanto, constatam que há um profundo desconhecimento sobre genes e espécies, o que inviabiliza a proteção. "O fato é que aproximadamente 75% das espécies da fauna e da flora ameaçadas de extinção não são objeto de quaisquer medidas de manejo".


Na conclusão, os técnicos sugerem que "o potencial da perda de biodiversidade seja considerado, efetivamente, no âmbito decisório, quando da implementação de políticas e ações, nas esferas pública e privada, de forma a evitá-la ou mitigá-la. Merecem destaque as obras de infraestrutura e o uso do solo para as chamadas atividades produtivas, por serem importantes vetores associados a essa perda".

Capital Natural. A pesquisa, no entanto, não calcula o valor do "capital natural" da biodiversidade sob ameaça em território brasileiro, porém compila a estimativa de estudos anteriores de que 30% dos fármacos disponíveis em todo o mundo derivam diretamente de fontes naturais.
A ignorância científica que afeta a atual produção de remédios, se associada ao problema de extinção de espécies, pode comprometer a cura de doenças, conforme registra a publicação.


7 de fevereiro de 2011

A amazônia está mais seca

Em 2005, a Floresta Amazônica passou por uma seca tão severa que foi classificada como um fenômeno raro, dos que costumam ocorrer uma vez a cada cem anos. Entretanto, apenas cinco anos depois a região teve uma seca ainda mais forte.

Segundo estudo feito por cientistas do Brasil e do Reino Unido, publicado nesta sexta-feira (4/2) na revista Science, em 2010 a maior floresta tropical do mundo teve ainda menos chuvas do que em 2005. Como secas severas são danosas à vegetação, menos carbono foi capturado no ano passado.

Paulo Brando e Daniel Nepstead, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, e colegas analisaram dados climáticos, pluviométricos e de perda de vegetação para concluir a repetição do “evento único no século”.

Segundo eles, a Floresta Amazônica costuma atuar fortemente no sequestro de carbono atmosférico, mas secas podem revertar essa característica. Em 2005, estima-se que a morte das árvores resultante da seca tenha promovido a liberação, nos anos seguintes, de cerca de 5 bilhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera. Em um ano normal, a floresta sequestra cerca de 1,5 bilhão de toneladas de CO2.

Para efeito de comparação, o valor é quase toda a emissão de CO2 a partir de combustíveis fósseis nos Estados Unidos em 2009. Com mais árvores tendo morrido em 2010 do que em 2005, os cientistas destacam que muito mais carbono permaneceu na atmosfera e mais de 5 bilhões de toneladas ainda serão lançados em decorrência da morte de árvores.

Os autores ainda vão estimar o impacto da vegetação perdida em 2010 e apontam que a seca de 2005 pode ter impactado na gravidade da estiagem cinco anos depois.

Os resultados indicam que secas semelhantes e repetidas na região poderão ter impacto importante no ciclo global de carbono e, por consequência, no clima terrestre. Se tais secas intensas se tornarem frequentes, apontam os autores, os dias da Amazônia como equilibrador natural das emissões de carbono promovidas pelo homem podem estar ameaçados.

O artigo The 2010 Amazon Drought (doi:10.1126/science.1200807), de Simon Lewis e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.