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16 de dezembro de 2010

Brasileiros recebem a notícia com cautela

O anúncio da descoberta de um possível caminho para a cura da Aids gerou um misto de entusiasmo e cautela entre médicos e pesquisadores brasileiros. O consenso entre os especialistas é que os resultados obtidos com o norte-americano na Alemanha podem sinalizar uma nova linha de frente de pesquisas, mas ainda é cedo para se falar em cura. A descoberta dos médicos alemães ocorreu por acaso: o transplante de células-tronco foi feito para tratar a leucemia em um paciente com Aids e acabou, aparentemente, eliminando o vírus HIV.

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, médico infectologista Érico Arruda, mostrou-se otimista e acredita que a descoberta é um grande passo para o tratamento. "Ainda é cedo para falar em descoberta da cura definitiva, mas os alemães sinalizaram que o caminho pode ser através da produção de células resistentes ao vírus", diz o médico infectologista.
O especialista observa que a descoberta de que a mutação genética inibe a produção da proteína CCR5, fundamental para a multiplicação do vírus HIV, aponta que há uma parcela da população que já nasce imune à doença.
Assessor técnico do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Ronaldo Hallal alerta que o procedimento só foi aplicado em um único caso. Ele explica que o uso das células-tronco com mutação precisa ser realizado em um número significativo de pessoas para ser visto como uma pesquisa.

"Esse é um relato inédito e importante. O problema é que é um caso isolado. Essa é uma linha que, com o desenvolvimento científico, pode ser uma frente promissora. Isso pode significar um futuro tratamento da doença. É como se descobrissem um mecanismo de bloquear a penetração do HIV", diz Hallal.

Para Mauro Schechter, professor de doenças infecciosas da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o caso comprova o que os cientistas já sabiam: a proteína CCR5 inibe a manifestação da doença.

"Esse é um caso curioso que mostra que a cura é possível. No entanto, não acredito que esse seja o caminho. Esse norte-americano passou por um processo radical de radioterapia e quimioterapia e já não tinha quase nenhuma célula sua no corpo. O transplante foi muito radical", explica.

Cautela. Hallal diz que é prematuro afirmar que o próprio norte-americano esteja curado. "Temos notícias de pessoas que chegam a ficar 20 anos com o vírus HIV incubado (no organismo). Como o transplante aconteceu em 2007, precisaríamos esperar, no mínimo, mais 17 anos para falar em cura", calcula.

Arruda acredita que, atualmente, as duas promessas mais próximas para a prevenção da doença são a vacina e o gel que combate o vírus antes mesmo de ele incubar no homem.


Tratamento seria inviável como política pública


A infectologista Tânia Marçal, chefe do Departamento de Infectologia da Associação Médica de Minas Gerais, acredita que ainda que o tratamento com células-tronco se confirme como uma cura para a Aids, dificilmente poderia ser adotado como política pública.

Para Tânia, o alto custo do procedimento inviabilizaria o seu uso em larga escala. "Esse tipo de intervenção é muito cara. Acredito que aplicá-la em termos de saúde pública é impossível. Isso não só no Brasil, mas no mundo todo. O melhor remédio em relação à Aids continua sendo a prevenção", diz.

O assessor técnico do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Ronaldo Hallal, diz que ainda é cedo para que a notícia do caso do paciente norte-americano interfira no direcionamento das políticas públicas. "O nosso investimento se concentra em ações de controle de epidemias e de prevenção", explica o médico infectologista.

Norte-americano pode ser o primeiro caso de cura da Aids
 

O norte-americano Timothy Ray Brown, 44, pode entrar para a história como o primeiro homem a ser curado da Aids no mundo. Pesquisadores da Universidade de Medicina de Berlim, na Alemanha, acreditam ter encontrado evidências do desaparecimento do vírus HIV do organismo de Brown após um transplante de células-tronco da medula (capazes de se diferenciar em todo tipo de tecido). Segundo os responsáveis pelo estudo, ainda é cedo para anunciar uma cura definitiva para a doença, uma vez que se trata de um caso exclusivo.

Brown recebeu um transplante de células-tronco sanguíneas para tratar uma leucemia em 2007. Seu doador não somente era compatível, mas também tinha uma mutação genética que o incapacitava de produzir a proteína CCR5 - fundamental para que o HIV penetre nas células imunológicas. Três anos após o fim do tratamento e sem o uso de antirretrovirais, veio a surpresa: seus testes de HIV deram negativos. O resultado foi publicado na revista científica "Blood".

"Essa é uma prova interessante do conceito de que um paciente poderia ser curado do HIV com medidas extraordinárias, mas é demasiado arriscado para que se converta em uma terapia regular, inclusive se houvessem doadores compatíveis", disse o médico Michael Saag, da Universidade do Alabama, em Birmingham, e ex-presidente da Associação Médica para o HIV.

Os transplantes de medula óssea - ou os de células-tronco sanguíneas - implicam destruir o sistema imunológico original dos doentes com medicamentos poderosos, para substituí-lo com as células do doador, a fim de criar um novo sistema. A mortalidade desse tipo de operações ou de suas complicações pode ser de 5% ou mais, disse Saag.

1 comentários:

Ministério disse...

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