
Em 1997, o governo Fernando Henrique Cardoso deu início a um modesto programa de reequipamento da Força Aérea Brasileira (FAB), com uma concorrência internacional para a compra de 12 caças, no valor de U$ 700 milhões. Ao assumir o governo, o presidente Lula, em um acesso de odoriquismo, cancelou tudo e disse que aquele dinheiro iria para o Programa Fome Zero.
Resultado: o tal Fome Zero nunca saiu do papel, a FAB continuou desarmada e o governo teve que voltar atrás, desta vez com o Programa FX-2, que prevê a compra de 36 aviões a um custo de US$ 60 milhões cada, aproximadamente.
Só que, em vez de ficar nas mãos da Aeronáutica, o FX-2 caiu no colo dos políticos, que ignoram solenemente o parecer técnico da FAB.
É uma tragicomédia e faz lembrar a guerra em Lilliput, narrada por Gulliver, no livro de Jonathan Swift. No livro, conta-se que os minúsculos habitantes estavam em luta para descobrir por onde abrir os ovos, se na parte mais pontuda, se na mais rombuda...
Voltando na história, em 1953, o Brasil, que voava em aviões da Segunda Guerra Mundial, precisava de jatos. O presidente Getúlio Vargas propôs à Inglaterra, que os tinha, mas estava faminta, a troca de 66 aviões Gloster Meteor por sacas excedentes de café, o que permitiu à FAB a formação de centenas de pilotos e mecânicos. Um desses pilotos foi nosso saudoso escritor Osvaldo França Júnior, expulso da FAB por fazer parte do grupo que se recusou a bombardear o Palácio Piratini, onde Leonel Brizola ainda tentava resistir ao golpe de 64.
Agora, é claro, a história é outra. A FAB quer e precisa dos aviões, já que voa hoje em jurássicos F-5, Mirages 2000, AMX subsônicos e Super Tucanos, que, por mais funcionais e modernos que sejam, são turboélices.
(Enquanto isso, a Venezuela se entope de caças russos e nós continuamos com nossos calhambeques. E o povo mais pensante já começa a murmurar que, por trás dessa moita, tem o coelho de sempre, ou seja, o velho "por fora").
A coisa está neste ponto: Lula quer os Rafale franceses, pois Sarkozy prometeu-lhe uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU. Os suecos têm um avião que jamais voou, mas que os técnicos da FAB querem de qualquer maneira. Os norte-americanos apresentam um avião muito bom, o Super Hornet, mas que já atingiu o máximo de desenvolvimento e breve irão para os enormes estoques da Usaf.
Enquanto isso, os pobres pilotos da FAB continuam a fazer sacrifícios supremos colocando no ar aviões velhos e canibalizados.
É hora de ter esse assunto tratado com a seriedade e o profissionalismo que merece. É mito que De Gaulle tenha dito que o Brasil não é um país sério, mas, cá entre nós, acho que ele, do alto de seu narigão, deveria tê-lo feito.
Um país maduro não pode tomar decisões como se fossem coisas de criança. E crianças de Lilliput, ainda por cima.
Robinson D. dos Reis
Jornalista - robinsondamasceno@yahoo.com.br
fonte:Otempo






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