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7 de setembro de 2010

Estudantes do ensino médio terão `máquina de camisinha´

Instituições da rede pública poderão optar se querem ou não o equipamento

O Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids (DTS-Aids), deverá implantar 40 máquinas de camisinhas em escolas públicas do ensino médio até o fim de 2010, apesar da resistência encontrada em alguns setores da sociedade. O projeto foi criado após o Ministério da Saúde constatar em pesquisas que os adolescentes têm dificuldade de acesso ao preservativo.

"Neste local, onde eles estão juntos em turmas de amigos, ter este acesso de maneira, sem preconceito, sem discriminação, com facilitação, acho que é o nosso papel", afirma o coordenador do Programa DST-Aids, do Ministério da Saúde, Dirceu Grecco.

Como o acesso vai ser liberado apenas para alunos do ensino médio, só eles receberão a senha. Usar a máquina é fácil, basta digitar os números e pronto: o preservativo sai na hora.

Alunos, professores e pais ainda estão discutindo onde instalar a máquina, mas a maioria dos estudantes prefere que a máquina seja colocada em lugares como o banheiro. As escolas não são obrigadas a receber a máquina, mas quem aceitar a oferta do Ministério da Saúde deve promover campanhas e discussões sobre educação sexual.

"As pesquisas recentes indicam que jovens entre 13 e 19 anos têm uma vida sexualmente ativa. Se eles têm uma vida sexualmente ativa, seria uma atitude dissimulada fechar os olhos para esta realidade", afirma a doutora em antropologia Micheline de Oliveira.

O psiquiatra Francisco Baptista Neto também concorda que a escola deva participar da discussão sobre DST-Aids. "Eu acho que a escola é o lugar adequado para que os adolescentes possam adquirir a camisinha, que, muitas vezes, eles não conseguem em casa", defende Baptista Neto.

Reação
Preservativo em escola ainda causa polêmica

Brasília. Elaborado há mais de quatro anos, o projeto de colocação de máquinas de camisinhas nas escolas está gerando polêmica antes mesmo de ser implantado. A principal discussão entre estudantes, pais e educadores é se está certo ou errado instalar máquinas para distribuição de camisinhas.

Mas o que pensam os adolescentes, os mais interessados no assunto? “Eu não concordo com essas máquinas aqui dentro da escola, porque existem os postos de saúde que já disponibilizam. E eu acho que não é o local apropriado”, afirma o estudante Mateus Vasconcelos, 16.

Seu Êdio dos Santos é pai de oito filhos e sete deles estudam na mesma escola. Todos eles teriam acesso à camisinha caso a escola optasse em receber a máquina. Ao responder se acha que isso, de alguma forma, facilitaria a conversa sobre sexualidade dentro de casa, ele diz que sim.

“Com certeza, pelo simples fato de chegar em casa contando a novidade, eu creio que vai abrir uma discussão da família com os alunos. Isso vai provocar mais os pais. Eu acho que vai vir dos filhos para os pais, o que, na verdade, deveria ser o contrário, dos pais para os filhos”, diz Êdio dos Santos.

Para a psicopedagoga Albertina Chraim, a escola já está sobrecarregada. “Eu sou completamente contra. As escolas não estão preparadas para este passo, podendo até banalizar o ato sexual em si, incitando essas crianças a uma vida sexual precoce. E o passo seguinte seria perguntar: onde eles fariam uso destas camisinhas? Nos corredores das escolas?”, critica.

fonte:Otempo

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